Pela segunda vez, a American Society of Clinical Oncology (ASCO) declarou que o consumo de bebidas alcoólicas é um fator de risco para vários tipos de câncer.

O consumo de bebidas alcoólicas tem associação direta com o câncer de boca, esôfago, cordas vocais, fígado, câncer de mama e o câncer de cólon. Ainda, o álcool pode ser fator de risco de outros tipos de neoplasias, como o câncer de pâncreas e os tumores gástricos.

A estimativa é que 5% a 6% dos novos tipos de câncer e das mortes por câncer em todo o mundo estejam relacionadas ao consumo de álcool.

Vários fatores podem ser apontados como causadores dos tipos de cânceres, porém, o mais conhecido é o efeito do álcool sobre os estrogênios circulantes, uma via relevante para o câncer de mama.

Nos Estados Unidos da América (EUA), a American Heart Association, a American Cancer Society e o US Department of Health and Human Services recomendam atualmente que os homens limitem o consumo de bebidas alcoólicas a uma ou duas doses de bebida por dia e as mulheres a uma dose por dia.

Mas o uso regular do álcool também eleva os riscos de câncer de esôfago e câncer de mama, entre as mulheres e está associado a 5,8% das mortes de câncer no mundo. O risco é de duas vezes maior do que aqueles que não consomem bebidas alcoólicas.

Em especial nas mulheres, apenas uma dose de bebida alcoólica pode elevar o risco do câncer de mama. Alguns estudos mostraram que o álcool pode aumentar o risco nas fases pré e pós-menopausa em 5% e 9%, respectivamente.

Evidentemente, o consumo pesado – definido como oito ou mais doses por semana para mulheres e 15 ou mais para homens, incluindo o beber pesado episódico, quando a pessoa bebe todas as doses em apenas um evento – oferece riscos muito maiores.

No congresso, a ASCO diz que se junta a um “número cada vez maior” de instituições de tratamento do câncer e aos órgãos de saúde pública que apoiam as estratégias destinadas a prevenir o consumo de alto risco de bebidas alcoólicas. Nesta declaração, oferece recomendações baseadas em evidências de políticas para a redução do consumo excessivo de álcool, como a seguir:

  • Fazer o rastreamento do consumo de bebidas alcoólicas e intervenções breves em consultórios e ambulatórios.
  • Regulamentar o número de estabelecimentos que vendem álcool por região.
  • Aumentar os impostos e os preços das bebidas alcoólicas.
  • Manter as restrições de dias e horários nos quais a venda de álcool é permitida.
  • Melhorar a aplicação das leis que proíbem a venda a menores de idade.
  • Restringir a exposição dos jovens aos anúncios de bebidas alcoólicas.
  • Resistir à crescente privatização da venda de bebidas alcoólicas a varejo em comunidades onde atualmente o comércio de álcool encontra-se sob controle do governo.
  • Incluir estratégias de controle do uso de bebidas alcoólicas nos planos abrangentes de controle do câncer.
  • Apoiar os esforços das campanhas de alerta populacional como setembro verde, outubro rosa, novembro azul relacionadas com o câncer colorretal, mama e próstata respectivamente.
  • Para o caso de câncer mama devemos promover produtos ou serviços (ou seja, dissuadir os fabricantes de bebidas alcoólicas de explorar a cor rosa, o “outubro rosa”, ou as fitas cor-de-rosa, com o intuito de insinuar um compromisso com promover a luta contra o câncer da mama, dadas a evidências de que o consumo de álcool está ligado ao aumento do risco de câncer de mama).

Resenha realizada pelo Dr. José Altino – Oncologista clínico do Centro de Oncologia de Rio Preto, que estava presente nesta apresentação do Congresso da ASCO 2018.