O câncer de mama é um dos males que mais afligem a mulher. Mesmo com os atuais avanços para combatê-lo, ainda é elevado o risco da doença e suas consequências. Em 2013, a estimativa é de que pelo menos 60 mil mulheres sejam diagnosticadas com o câncer de mama no Brasil. Segundo a oncologista Valeska Cristina do Carmo, do Centro de Oncologia de Rio Preto (CORP), nas mulheres mais jovens os tumores de mama se apresentam de uma forma mais agressiva, e não há ainda explicações científicas para tal fato. “O que sabemos é que os exames preventivos como mamografia apresentam maior dificuldade para diagnóstico devido à textura da mama nas mulheres jovens e, por isso, essas pacientes tendem a ter o diagnóstico mais tardiamente”, diz.

Com isso cresce a preocupação dos profissionais da saúde em alertar para a prevenção de modo a se evitar maiores prejuízos pela descoberta tardia.

A doença, além de afetar a saúde, mexe com a autoestima ao alterar toda a estética, em especial se for preciso retirar a mama e se submeter à aplicação de quimioterapia. Daí porque são considerados importantes para a saúde da mulher a realização de exames básicos com regularidade, dentre eles os exames papanicolau, mamografia e colposcoia.

“O check-up anual é imprescindível. Estes exames são muito difundidos, pois permitem prevenção de uma doença muito estigmatizada, que é o câncer”, afirma a radiologista Vera Aguillar, responsável pelo Centro de Análises de Imagens Mamárias da Clínica da Mulher, do Hospital Sírio-Libanês. A médica afirma que só com exames preventivos a mulher pode ter o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares, osteoporose, hipotireoidismo e cânceres. “Com isso, elas aumentam as chances de cura e um tratamento menos agressivo”, diz.

A situação é tão séria que a Secretaria Estadual de Saúde acaba de anunciar um investimento de cerca de 190 milhões para a Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer, que envolve 13 hospitais a fim de aumentar as chances de identificar males como esses de forma mais precoce. Até porque, segundo o oncologista do Hospital Samaritano de São Paulo, Auro Del Giglio, dentre os tumores com maior incidência entre as mulheres – mama (53 mil), colo de útero (18 mil) e cólon de reto (18 mil) – todos podem ser diagnosticados com exames de rotina.

“O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. A curva do câncer de mama cresce ligeiramente e pode ser devido a um número maior de mamografias realizadas, ajudando na detecção precoce. Se diagnosticado e tratado adequadamente, o prognóstico é bom”, afirma o especialista. O oncologista José Altino observa que há alguns fatores de risco para o câncer de mama, além do fator familiar, que pode oferecer risco, quando a mulher não teve filhos.

“O maior tempo de exposição à ação hormonal como menarca (primeira menstruação) precoce e menopausa tardia, a ausência de amamentação, a reposição hormonal ou uso de anticoncepcionais orais por tempo prolongado, o sedentarismo e a obesidade podem também ser fatores de risco para o desenvolvimento da doença”, explica.

A médica rio-pretense Valeska do Carmo lembra que é importante não se desesperar diante de diagnósticos positivos, uma vez que hoje existe uma série de alternativas para se lidar com o problema, seja por intermédio de cirurgia, radioterapia ou bloqueio hormonal. Além disso, também é possível aplicar a quimioterapia e utilizar drogas alvo-moleculares, que são remédios que atuam apenas em células doentes. Sem falar que é possível reconstruir a mama e deixar a mulher com o aspecto totalmente natural.

Dra. Valeska do Carmo

Dra. Valeska do Carmo

Os cuidados também devem incluir uma dieta saudável e equilibrada com a presença de frutas, verduras e fibras; atividade física periódica e frequente; evitar ganho de peso; relações sexuais protegidas; vacinação contra o papilomavirus (HPV), causador de grande parte dos cânceres de colo do útero, e evitar exposição solar excessiva.

Hoje, quando se retira uma mama, já é possível recompor imediatamente com o uso de prótese. Mas como explica o cirurgião plástico Rodrigo Antoniassi, de Rio Preto, só o fato de perder o seio inteiro ou parte dele já significa uma mutilação na feminilidade da mulher. “Lidar com isso é extremamente difícil, e qualquer ajuda é fundamental”, afirma.

Daí a importância do apoio familiar e o acompanhamento psicológico serem indicados em qualquer caso, mas a cirurgia plástica de reconstrução da mama pode ser a alternativa que mais dê resultados para a maioria das situações.

“O seio é o símbolo da feminilidade da mulher e nós trabalhamos para recuperar isso, pois, com a autoestima melhor. o tratamento flui mais fácil e obtemos mais resultados”, afirma o cirurgião plástico Rodrigo Antoniassi. Em alguns casos, é possível fazer a mastectomia, que é a retirada do câncer, juntamente com reconstrução do seio.

Segundo o cirurgião plástico João Cantarelli, de Rio Preto, é preciso se certificar da real condição para a paciente ter a reconstrução mamária realizada de maneira imediata à retirada. “Não coloco próteses direta após mastectomia, prefiro colocar um expansor e depois a prótese”, diz.

Existem três tipos de revestimento na prótese de silicone: liso, texturizado e poliuretano. Cabe ao médico saber qual o melhor a ser usado. Cantarelli explica que na literatura médica americana existem trabalhos publicados antes da proibição da colocação de silicone nos Estados Unidos (hoje está liberado), que dizem que a prótese de revestimento texturizado apresenta em torno de 3% de possibilidade de rejeição (contratura capsular) pelo corpo humano.

Portanto, existe uma classificação (de 1 a 4 graus), que o cirurgião plástico deve conhecer para saber quando aplicar o tratamento correto para cada grau de contratura, caso esta ocorra. “Particularmente, acho que esse índice é maior que estes 3%, porem é o que cientificamente temos hoje”, afirma.

O médico diz que é preciso cuidado com o plano de colocação da prótese de mama para não sacrificar, num primeiro momento, o plano muscular. “Mais uma vez é o cirurgião plástico quem deve indicar o melhor para aquela paciente e, logicamente, dominar as técnicas existentes”, diz.

por Diário da Região 27/03/2014