Quando pensamos nos aspectos psicológicos do paciente oncológico, é importante lembrar que vida sexual do mesmo provavelmente sofrerá um impacto negativo. A Organização Mundial da Saúde preconiza que a intimidade e sexualidade do paciente com câncer são importantes ao bem-estar e à qualidade de vida.

Muitas vezes, o diagnóstico de câncer e seu tratamento comprometem o bem-estar psicológico e a qualidade de vida do paciente, de sua família e de seu parceiro, podendo resultar em prejuízos significativos à função sexual, ao estado emocional e ao relacionamento do casal.

Tantos os fatores físicos, como alterações anatômicas, fisiológicas e os efeitos adversos do tratamento podem influenciar no descontentamento do funcionamento sexual. É importante lembrar que os problemas sexuais decorrentes ao câncer, não se limitam a tipos específicos, todos têm suas particularidades e associadas às sequelas do tratamento, podem causar autoimagem negativa e estado psicológico caracterizado por ansiedade, depressão e inquietude, além de desconforto do parceiro, o que leva à esquiva da intimidade sexual.

A resposta sexual em paciente oncológicos, pode ser afetada por vários fatores que tendem a conviver no curso da doença, no tratamento (devido à quimioterapia e radioterapia, cirurgias e hormonioterapia), no manejo dos sintomas e no pós-tratamento. Por essa razão, disfunções sexuais são frequentes.

Geralmente, quando a vida sexual do paciente fica prejudicada devido a doença, outras formas de contato físico também diminuem. Diante da ausência de intimidade sexual, os parceiros que enfrentam a doença podem se sentir isolados, ansiosos ou deprimidos, inadequados ou emocionalmente distantes. A Psicóloga do Corp, Vanessa Cristina Lourenção, diz: “É importante ressaltar que a intimidade pode tornar a experiência do câncer mais suportável e ajudar no processo de recuperação.”

O diagnóstico de câncer e seu tratamento, podem gerar dificuldades no relacionamento. É fundamental que paciente oncológico e parceiro não deixem de comunicar seus sentimentos e compartilhar a necessidade de intimidade. A resposta afetiva às condições impostas pela doença e o padrão de reação como respondem às dificuldades podem acentuar quadros de ansiedade e depressão. As mudanças na dinâmica do casal, podem dificultar a adaptação a essa nova realidade. Cabe ressaltar, também, que o bem-estar psíquico do parceiro cuidador também é afetado.

A qualidade de vida pode ser melhorada se, no acompanhamento do paciente com câncer, além da atenção às recidivas, também houver avaliação da função sexual e, em caso de disfunção, recomendação de tratamento.

O apoio profissional é essencial, principalmente após cirurgias oncológicas quando a adaptação à nova imagem corporal e o estilo de vida são alterados. É importante considerar as alterações corporais e influência de medicações, bem como as dimensões psicossociais e relacionais. A qualidade do relacionamento anterior à doença é um fator determinante nesse processo, além da resiliência do paciente e do parceiro para superação das limitações inerentes à nova condição.

Fonte: Fleury, Pantaroto e Abdo(2011). Sexualidade em oncologia. Diagn Tratamento; 16(2):86-90.