O “Fórum Oncoguia: A realidade do câncer no Brasil” reuniu especialistas e pacientes para discutir esse conjunto de doenças, que são numerosas e bastante diferentes entre si. Dentre os múltiplos desafios, destacam-se a dificuldade diagnóstica, o atraso para início o tratamento e a limitação das terapias disponíveis para indicações específicas.

A diretoria executiva da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dra. Cinthya Sternberg, explicou que a Sociedade contribui para a educação de oncologistas clínicos em cânceres raros e citou como exemplos o Programa de Especialização em Tumores Neuroendócrinos, lançado   neste ano, e o de Oncogenética para residentes, que já teve duas edições. “Pelo acordo de reciprocidade que temos com a sociedade europeia, a ESMO, nossos associados têm acesso também aos mesmos treinamentos que os europeus”, destacou.

Outro ponto ressaltado pela Dra. Cinthya Sternberg foi a necessidade de adequar os critérios para aprovação de medicamentos para cânceres raros, as chamadas drogas-órfãs. “Os estudos clínicos precisam de desenhos muito específicos porque não conseguem recrutar o mesmo número adotado para os tumores de alta prevalência e incidência”, explica.

60 aprovados pelo FDA e zero no SUS

Levantamento do site Metrópoles, de Brasília, mostra que 60 medicamentos para o tratamento de câncer foram aprovados pelo Food na Drug Administration  (FDA), a agência reguladora americana, entre 2013 e 2017, mas até hoje nenhum deles é oferecido aos pacientes oncológicos que dependem da saúde pública em nosso país. A reportagem revela também que, dos 60, mais da metade (32) receberam registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e somente cinco foram incorporados ao rol de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, editado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dr. Sergio D. Simon, o maior obstáculo não está na aprovação pela Anvisa, mas em fazer chegar o medicamento aos pacientes. “O problema do SUS é o custo das drogas”, avalia. Uma solução, segundo o oncologista, pode ser remanejar recursos em saúde pública, com o abandono de tecnologias ultrapassadas e priorização de novas, mais eficazes.

Na saúde suplementar, a diminuição do prazo de atualização do rol da ANS, bem como a incorporação de drogas que seguem alheias ao documento, é uma das batalhas anuais da SBOC. A pressão é no sentido de que o tempo caia para até 90 dias após a canetada da agência sanitária.

60 novas substâncias ativas contra câncer aprovadas nos EUA entre 2013 e 2017.

  • As drogas tratam 24 tipos diferentes de câncer.
  • No Brasil 32 disponíveis no Brasil
  • 5 incorporadas pelos planos de saúde em 2018
  • No SUS  0

Fonte: Revista Oncologia e Oncologistas – Ano 2 – Edição 7 – Jul/Set 2018