A quimioterapia é um tratamento destinado a eliminar células de rápido crescimento em combate a algumas doenças, mas, principalmente, no tratamento contra o câncer. Vários medicamentos extremamente potentes são utilizados e, ao se misturarem com o sangue, são levados para todas as partes do corpo com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes. Esses remédios agem nas células que se desenvolvem rapidamente, impedindo que elas se dividam na mesma velocidade. Porém, os quimioterápicos acabam destruindo também as células sadias que estão se renovando constantemente, como é o caso do cabelo, unha, pele, mucosa e, em casos mais graves, da medula óssea. Dessa forma, surgem os efeitos colaterais.

Alguns dos pacientes podem passar por muitos desses efeitos, assim como também podem não ter nenhum. Os efeitos colaterais duram de acordo com o tipo de quimioterapia que você recebe, podendo acabar junto com o ciclo de medicação, mas em alguns casos, podem levar meses ou até anos para acabar. Tudo depende da quantidade de quimioterápicos e como seu corpo reage ao tratamento.

A mucosite oral é um dos principais efeitos colaterais agudos induzidos pelo tratamento contra o câncer, principalmente radioterápico em cabeça e pescoço e é caracterizada por ardência bucal pelo aparecimento de úlceras dolorosas e feridas na boca. A mucosite causada pela radioterapia, ocorre geralmente durante a segunda semana de tratamento, enquanto a mucosite causada pela quimioterapia, aparece em média, após 2 à 10 dias após o início da mesma.

Pacientes com resto de raízes, tártaro, má higiene oral, abscessos, presença de próteses mal adaptadas ou aparelho ortodôntico, são mais susceptíveis a Mucosite, devido ao fato de já terem “trauma” presente na boca. Além disso, o uso do álcool e tabaco podem aumentar a incidência ou agravar a mucosite.

Pacientes irradiados na região da cabeça e pescoço que responderam a um questionário sobre alterações orais e qualidade de vida, relataram a boca seca (91,8%), alterações na gustação (75,4%), disfagia (63.1%) e dor (58,4%) que interferia diretamente nas atividades diárias em 30,8% dos casos foram os principais sintomas encontrados em decorrência do tratamento radioterápico. A mucosite oral é o efeito colateral agudo mais importante da radioterapia em cavidade bucal, por dificultar a deglutição de alimentos sólidos e às vezes líquidos, limita a fala e a mastigação, além de expor o paciente a infecções por microorganismos oportunistas, resultando na diminuição da qualidade de vida do paciente irradiado. Além disso, a mucosite oral grave pode exigir interrupção parcial ou completa da radioterapia antes do regime planejado ser completado, aumentando o risco de proliferação das células tumorais e dificultando o controle do câncer. A mucosite oral induzida por radioterapia acomete praticamente todos os pacientes submetidos à radiação tumoricida na região da cabeça e pescoço. Após a análise de diversos estudos sobre mucosite oral, foi detectado que 97% de 2875 pacientes desenvolveram mucosite devido à radioterapia convencional. A associação entre radioterapia e quimioterapia, resultou em mucosite oral em 89% de 1505 pacientes irradiados, comparados apenas a 22% de 318 pacientes que desenvolveram mucosite oral pela realização de quimioterapia exclusiva.

Como saber se você está com Mucosite?

Fique atento a:

  • Eritema (vermelhidão);
  • Edema (inchaço);
  • Sensação de queimação;
  • Aumento da sensibilidade a alimentos quentes e condimentados;
  • Lesões ulcerativas (feridas), às vezes sangrantes, comprometendo principalmente lábios, língua, mucosas, gengivas e garganta;
  • Alterações na qualidade da saliva e da voz;
  • Dor;
  • Dificuldade em deglutir (engolir);
  • Incapacidade de se alimentar.

Fonte: Inca, Oncoguia, Instituto Vencer o Câncer